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nilson oliveira preparei tanta poesia para a vida, nilson.myblog.com.br Ouça o poema Abismo na interpretação de Antonio Abujamra, do programa Provocações da TV Cultura: http://www.tvcultura.com.br/provocacoes/poesia.asp?poesiaid=36 | |
ABISMO (Nilson Oliveira)Quero absorver intensamente toda a tristeza do mundo As esperanças não alcançadas Os filhos que não nasceram O pranto das mães desconsoladas... Quero sentir profundamente toda a dor A dor de não ter amor, não ter paz, Não ter futuro. Pelo trabalho rotineiro de cada dia A comida sem graça e fria A desigualdade, a injustiça, o olhar distante, A dor, toda a dor da infelicidade. Quero aguardar a catástrofe silenciosamente Com o meu cansaço estafante e descomedido Pelo excesso das palavras, das mentiras, das ilusões Dos pesadelos, tantos. O horizonte se distanciando... longe... longe. Quero chorar muito... Quero chorar muito Sem nenhum constrangimento Sem parar, sem parar. Quero ser tragado pela realidade E me esconder na sombra da minha insignificância Para que num momento distante – se houver, Eu possa despertar para um mundo Agradável e melhor.
Mutilação (Nilson Oliveira) Há a angústia – profunda... E a pressão sufocante de todas as paredes impede a opção de alguma saída. Observo todos os objetos meticulosamente, tentando desviar meus pensamentos, meus delírios – toda a minha aflição. Mas sou vencido e mais uma vez fixo o meu olhar no espelho. Fixo intensamente meu olhar no espelho e sou bombardeado impiedosamente por todos os meus deslizes, meus fracassos, minha insistência pelo erro. E julgo-me sem misericórdia, me acuso de todos os crimes e me afogo no meu desespero. As lágrimas são cortantes e contundentes... E me firo, e me firo, e me firo, buscando algum alívio indulgente, buscando um perdão a qualquer preço... Mas percebo o brilhante escarlate escorrendo, gotejando a dor insistente, gotejando, gotejando, gotejando... Inundando o frágil telhado da minha consciência, Quase me adormecendo definitivamente, Lentamente me atingindo. E mesmo cerrando os dentes, Não há como evitar o grito, Não há como impedir o apelo, E todos os braços e abraços, E todos os clamores piedosos, - Não conseguem convencer-me do amor... Algum tempo depois eu desperto, E a claridade me assusta. - Será que recobrei a vida? E permaneço dividido entre esse querer e o não querer, Aguardando, desejando ansiosamente o próximo encontro com o espelho...
ANOITECEU (Nilson Oliveira)Anoiteceu... A noite é alívio, é descanso, é sombra. O amanhecer é luz, É esperança... talvez. A noite é sonho ou pesadelo. O amanhecer é realidade: De alegria, de dor, De pranto ou canção... A noite é medo, É silêncio intenso Apenas respiração de espera. O amanhecer é ir É trabalhar! É correr! É fugir! É quase viver... O anoitecer é chegar É ficar sem saber porque ficar. O amanhecer é morte: Menos dia... menos dias; Velhice, velhice – fim. A noite é hipocrisia É pecado sem alforria. O amanhecer é arrependimento É esquecimento É fingimento para sobreviver... A noite é escuridão... profunda. - Meu amanhecer é noite... sempre. Amanheceu. - E agora?
CINZA (Nilson Oliveira)Há mesmo no silêncio Tão calado da vida que segue Um grito latejante, estridente Buscando o amanhecer (triste semente) Que espero, cultivo, trato Mas repudio Rompe assim, quase cautelosamente O conflito que permeia minha existência Inútil, fútil e desperdiçada Que apesar de coloridos variados, persistentes Esvai-se num quadro sem cor Que agoniza na aurora desesperada. Ah! Se meus dias amanhecidos Controlados em minhas mãos pudessem ficar Que poder eu teria! Que poder eu teria... Em qualquer momento me despediria da esperança Sem remorsos, sem alma, sem medo Na escuridão, leito necessário – descansaria. E se meu olhar de repente se entristecesse Por não ver alegria neste chão repisado (Não há nada para dizer neste silêncio rebuscado São apenas ecos dos meus gritos sufocados Vida que não vai, morte que não vem) Então, no pó me envolveria, para sempre, para sempre Me esqueceria e definitivamente ficaria calado, só.
TESTAMENTO (Nilson Oliveira)Se eu partir Não esqueça da minha alma. Saiba, moro em você... Irei com aquela dor no peito Este sentimento que calo dentro de mim, Num egoísmo sem sentido... Sei da minha ansiedade Do medo de dar novos passos De conhecer novos caminhos E sentir que não terei você (solidão)... Mas se eu voltar um dia, Dê-me um sorriso, Com os olhos brilhando de alegria E diga-me da saudade que sentira, Num gesto natural, tente conter essa lágrima E recolha-se junto a mim (no pensamento) Porém se for insuportável este claustro Lembre-se do horizonte ao seu alcance E imagine que estou naquela montanha longínqua, Esperando você. Saiba ainda que para mim não importa este tempo, Só necessito que mantenha intacto Este sentimento recíproco, Puro e único: O nosso amor... FIM (Nilson Oliveira)Despeço-me do amor Com qualquer canção barata ao fundo Sobrecarregado com todas as desilusões de há tanto E forçosamente cansado De procurar entender o incompreensível Despertei meio sem graça Por não ver os degraus que procurava E agora, confuso, Sem saber se há chão, se há nuvens Se caminho, ou se simplesmente flutuo. Na realidade, não queria abrir os olhos É tão agradável a profundidade da ignorância, Da esperança sem sentido. ... Não há por que entender Não há o que entender Permita-me enxergar o cinza Estou farto das outras cores E não quero mais sentir. Se possível quero vomitar todos os sentimentos E tentar usufruir alguma leveza. Mas, todos sabemos, Não é possível. Assim, despeço-me do amor E viajarei para lugar nenhum Sem pressa de voltar Talvez para não mais voltar Pois o destino é a estrada A estrada é o caminho Continuarei a caminhar Só... Basta.
DESISTI DE VIVER (Nilson Oliveira) Desisti de viver De maneira convicta, serena, Sem arroubo. Não estou mais interessado na alegria, Na felicidade ou na esperança. Quero apenas morrer Um pouco a cada dia Observando apenas, com desprezo A vida esvair-se Passivamente... Também quero morrer sem pressa, Não há mesmo sentido. Minha essência é triste E é só o que persiste Alimentando uma fome de nada Para nada É só silêncio. Teimosamente, quero sentir toda a dor De agonizar lentamente Sem me importar com os sons ou cenários, Muito menos se há platéia. É um espetáculo sem graça, Completamente sem graça Satisfaço-me com este espelho Contundente e impiedoso Que se torna obstáculo para qualquer horizonte, Com este vazio de alma Com este vazio profundo de alma... De qualquer modo a escuridão não é de todo tenebrosa Nem mesmo o tempo é angustiante. O fim é inevitável É resumo abjeto, apenas epitáfio Deixo o pó possuir-me, absorver-me, extinguir-me Num retorno inexorável Para o início Onde certamente deveria permanecer Estagnado, inerte, só Sem esta dor excruciante De saber estar só E ficar assim Esquecido pelo tempo e pelo vento Fazendo poeira Na imensidão da minha insignificância.
SUBMUNDO (Nilson Oliveira) As cercas são invisíveis, mas os efeitos da insensibilidade são espantosamente cruéis. De um lado há a revolta com a opulência, a fartura e o olhar arrogante; E do outro há o desprezo pela miséria, pela injustiça – o olhar é distante... Há a letargia alimentada por uma falsa idéia de destino Onde todos se embriagam pelo embalo da sorte infame E aguardam passivos o cumprimento de falsas esperanças. Como aceitar mentes infantis tão envelhecidas? Como entender mentes envelhecidas tão carentes de compreensão? Há a fuga recíproca, Mas o encontro é inevitável. O resultado é a violência A violência do descaso, da exploração, do desperdício. A violência da invasão, do ataque, de profundos ferimentos, Ferimentos mútuos, contundentes, deploráveis. E continua o esforço pela desumanização, E continua o empenho pelo individualismo E prevalece o abismo, a escuridão, O silêncio amedrontador do futuro. Fica o cansaço, O vazio, E não há dignidade para ninguém Continuam todos a olhar para o outro lado da cerca Com desconfiança, de braços cruzados, De punhos fechados e Com os corações apodrecidos.
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Abraços
Nilson 26Nov2006 - 18:47 | ( 39 ) E você, o que achou?
SILÊNCIO (Nilson Oliveira)
Quero o silêncio, silêncio de morte ou de vida, 10Nov2006 - 12:43 | ( 8 ) E você, o que achou?
ANDARILHO(Nilson Oliveira) Ai, saara da saudade Árido, seco, causticante deserto Que mantém minha amada menininha Num horizonte de miragem Tão distante do meu sonho oásis E sigo, Andarilho, Deixando passos que se perdem Em dunas intermináveis Que insistem em encobrir a esperança Ao cair de cada dia Em ventanias impetuosas Que distorcem todos os caminhos Que me levam a você... Mas o seu amor é sempre sombra Para meu coração aflito Água límpida e refrescante Para minh’alma sedenta Alimento e força Para meu corpo cansado... Assim, a cada manhã, Renovado com sentimentos sublimes Continuo buscando o nosso jardim de primavera Florido, verdejante, com belas aves Que cantam esplendidas, cantam desde sempre Entre borboletas delicadas e árvores imponentes O momento único, perfeito, Em que seus lindos braços Serão meu desejado abrigo de paz E essa relva aconchegante Servirá de manto Para nosso descanso de felicidade E nos misturaremos definitivamenteA este cenárioQue será morada natural De nosso eterno amor!
7Out2006 - 11:32 | ( 19 ) E você, o que achou?
ENCONTRO (Nilson Oliveira) Explosões de nuvens Trazem suavemente sombra refrescante Para os caminhos do nosso amor... E a vida que prosseguia árida Agora se esbalda nos canteiros De verde exuberante, Onde tantas e tantas flores habitam E também servem de morada Para os nossos corpos brincarem com o prazer... E nossas mãos delicadas se misturam E produzem belos desenhos na pele sensível Que serve de palco Para a dança de suspiros revestidos De luzes infinitamente coloridas Formando um quadro de felicidade inefável Repleto de sorrisos que se completam, De olhares que se iluminam E palavras pronunciadas tão docemente Que até o tempo eterniza este momento O momento definitivo, completo, perfeito E único Do nosso encontro! 29Set2006 - 08:43 | ( 4 ) E você, o que achou?
GABRIELA (Nilson Oliveira)
Uma branca flor de paz enfeita teus belos cabelos em ondas. Nos teus olhos de esperança, ainda há sonhos adormecidos que tua alma esguia busca em passos firmes e determinados... Conserva ainda natural e suavemente o tom doce de menina-mulher que luta para domar sentimentos de um coração sedento de vida e pronto para o amor... Deixo-te mãos, caso precise, Ombros meus para apoiar, se quiser, Também abraços para os dias de medo, E muitos, todos os sorrisos Para os tempos de vitória... Que seu caminho seja repleto de canções de alegria! Que as paisagens se formem com as cores da felicidade! E que todos os horizontes, os teus horizontes, sejam sempre plenos! (18.09.06 1,00 hs) 22Set2006 - 08:43 | ( 7 ) E você, o que achou?
PRESENÇA (Nilson Oliveira)
O doce som da tua voz
Preenche por completo a minha alma,
E meus olhos, revestidos do seu amor,
Dão forma ao seu desejado corpo
Por todos os cenários e caminhos...
E assim, sinto e usufruo intensamente
A sua agradável companhia
E já tenho o jeito exato do teu sorriso,
E sei claramente os movimentos das tuas mãos,
O modo como ajeita os cabelos
E olha furtivamente para mim,
Dizendo-me neste quase silêncio
Um turbilhão de palavras e sentimentos
Que perduram por todos os dias do amanhã...
É por isso que diante de tantos sonhos,
A realidade mais aguardada é você.
O futuro continua um quadro sem cor,
Mas te esperar continua sendo meu exercício de vida,
E o nosso encontro será como o amanhecer de um belo dia,
Cheio de luz,
De alegria,
De esperança,
Que até a natureza se curvará
Diante da nossa felicidade!
16Set2006 - 16:58 | ( 3 ) E você, o que achou?
MANGUEIRA (Nilson Oliveira) Naquele quintal de lembranças Há uma mangueira quase centenária Onde ao redor, Mãozinhas infantis plantaram sementes de sonhos, Sementes de belas flores coloridas Com o singelo perfume da alegria. Quantas histórias guardadas pela sombra dessa árvore generosa! Quantos sorrisos e gargalhadas! Quantas brincadeirinhas pueris sobre folhas ressequidas absorvidas pelo solo! A rede balançou sempre, embalando o cansaço impelindo a esperança alimentando desejos confortando os medos até o dia em que a doce criança estava pronta para entrelaçar as mãos do amor por tanto tempo aguardado... Agora eles descansam abraçados, Encostados no tronco da aconchegante mangueira Com os olhos mirando horizontes Confiantes no futuro de felicidade Onde todos os dias colherão frutos de paz!
9Set2006 - 16:38 | ( 11 ) E você, o que achou?
CÍRCULO (Nilson Oliveira)
Nossos pais falharam Falharam flagrantemente... Destruíram os limites Mudaram os valores Deixaram apenas a hipocrisia Que aprendemos e absorvemos tão rapidamente... E assim vamos, Perpetuando passivamente A existência deste castelo de ilusão. Mas exercito a esperança De que nossos filhos serão diferentes Como nossos pais pensavam que seríamos. E assim partiremos, silenciosamente E nossos rastros escritos em grafite, todos, Serão apagados deste deplorável livro da vida... 1Set2006 - 09:22 | ( 5 ) E você, o que achou?
SAUDADE (Nilson Oliveira)
A nossa rede de amor Encontra-se ali, imóvel e vazia Preenchida apenas com a saudade de nossos corpos agora distantes... Nela encontro seu perfume de rara fragrância e fecho os olhos e chego a sentir sua presença, meiga menininha, e até toco seu corpo no ar num abraço aconchegante, repleto de ternura que me transmite seu calor... Me delicio com todas as sensações da sua agradável presença... É claro que a realidade me desperta e a solidão chega a sentar-se comigo, por pouco tempo, bem pouco, mas imediatamente sou preenchido pelos melhores sentimentos que deixaste em meu coração... E sai de mim um sorriso de felicidade confiante do seu retorno tão aguardado e mais uma vez nos embalaremos com os melhores pores-do-sol de nossas vidas tempo que usufruiremos todos os horizontes que merecemos!!!
25Ago2006 - 09:24 | ( 11 ) E você, o que achou?
Barquinho de Papel (Nilson Oliveira) Como um barquinho de papel Meu frágil amor Flutua no lago calmo do seu coração... E minhas mãos trêmulas buscam insistentes O afeto e a segurança do seu abraço E me acalento com o sonho De tê-la como testemunha de minha vida Para que tudo passe a ter algum sentido. Me perco neste enigma E persisto por horas para decifrar Seu olhar intrigante, Suas palavras quase perfeitas, E o som suave da sua voz que imagino... Com essa imagem de fantasia Vou construindo a história de nossas vidas Como se você participasse realmente dos meus dias E eu tivesse plena certeza do seu sentimento Sentimento delicado e singelo Que me impele como vento forte Em busca da sua companhia Para que o tempo se desvencilhe da esperança E transforme este amanhã em hoje Para sempre!
18Ago2006 - 09:06 | ( 10 ) E você, o que achou?
O tempo é implacável Como é implacável... E sinto um ódio profundo Por não ter conseguido amar. O tempo é senhor É amo poderoso. Assim eu grito na agonia da minha perplexidade, No canto dessas paredes sufocantes - meu eu vazio. Desse poço profundo e inerte Eu grito o mais que posso Extravasando a minha aflição por perceber o fim Completamente desagradável... Vou sem legado Sem construir ninguém Sem deixar rastros Só folhas que se perderam e apodreceram, De uma árvore infrutífera e sem sombra. |